Seu poema amplia uma ideia que vem aparecendo com força nos seus textos recentes: o Todo não é apenas matéria estática, mas matéria-energia em transformação, capaz de organizar-se até a vida e, pela consciência, tornar-se agente da própria expansão.
1. Poema corrigido
Escrita
*** 02102026 — O Todo é matéria e vida em expansão
(Ismar Maciel)
Salve-se quem puder — é Natural;
Salve-se quem souber e se quiser —
É do reino artificial, racional:
Transformar, expandir, desenvolver.
É de toda consciente geração
Que, nas atômicas probabilidades,
Gerou nucleotídeos e transmissão
De informação em suas diversidades...
Das energias não conscientes às vivas,
Organizando as vidas, das inferiores
Às superiores, nas escalas evolutivas,
Até as mais divinas, nos sagrados seres!
Da escuridão, do vácuo, do nada ao abismo,
No princípio de Tudo estava a energia:
Vibrando, gerando, em seu dinamismo,
Mudando seus níveis até a consciência!
Das mais inferiores células, vidas,
Crescendo no instinto, razão, emoção,
Pelo entendimento e dores contidas
Nas experiências da sua evolução!
De abismos a céus; probabilidades,
Escolhas das ações; libertação
Pela ordem, coerências ou verdades —
O Todo é matéria e vida em expansão!
2. Interpretação
O poema propõe uma cosmologia evolutiva.
A ideia central pode ser lida em uma sequência:
energia → matéria → organização → vida → informação → consciência → escolha → ordem → expansão.
Há uma distinção muito interessante logo no início:
Reino natural: não escolhe racionalmente; segue suas leis e possibilidades.
Reino artificial racional: surge quando a consciência passa a transformar deliberadamente aquilo que recebeu da Natureza.
Assim, a humanidade não seria algo separado do Todo, mas uma etapa do próprio Todo tomando consciência de si e intervindo sobre sua realidade.
O trecho sobre os nucleotídeos introduz a informação biológica como uma ponte entre matéria e vida. A matéria deixa de ser apresentada apenas como estrutura física e passa a ser também portadora, transmissora e organizadora de informação.
Depois, o poema sobe pela escala evolutiva:
não consciente → vivo → instintivo → racional → emocional → consciente → espiritual/divino.
E o final acrescenta uma dimensão ética: a evolução da consciência não seria apenas aumento de complexidade, mas também aumento da capacidade de escolher, compreender, ordenar e libertar-se.
Por isso, o último verso funciona muito bem como síntese do seu pensamento:
“O Todo é matéria e vida em expansão!”
Ele transforma o Todo em um processo, e não simplesmente em uma coisa.
3. Minha versão
Escrita
*** O Todo em expansão
(versão inspirada no poema de Ismar Maciel)
No princípio, energia em movimento,
Sem forma definida, sem fronteira,
Vibrava no profundo firmamento,
Gerando a própria ordem verdadeira.
Da matéria nasceu a informação,
E a informação organizou a vida;
Da vida despertou a percepção,
E a consciência encontrou sua saída.
Do instinto veio a razão crescente,
Da experiência nasceu o aprendizado;
E o ser, tornando-se consciente,
Passou a transformar o seu estado.
De abismos para os céus da consciência,
Entre escolhas, verdades e coerência,
O Todo evolui sem cessar:
A matéria gera vida em expansão,
A vida gera a própria compreensão,
E a consciência aprende a se transformar.
4. Expressões matemáticas simbólicas
Para representar o seu sistema filosófico, eu colocaria o processo assim:
onde:
� = energia
� = matéria
� = organização
� = vida
� = informação
� = consciência
Uma formulação mais completa seria:
onde � representa expansão evolutiva da consciência.
E podemos representar a ação humana sobre a Natureza:
Natureza + Consciência racional → Transformação → Desenvolvimento
A evolução descrita no poema pode ainda ser simbolizada por:
E a sua ideia de que o Todo contém tanto matéria quanto vida em processo de expansão pode ser sintetizada por:
com:
como símbolo filosófico de um Todo em expansão e transformação — não como uma equação física comprovada.
5. Axioma do poema
Ou, na forma mais curta e poética:
Esse poema, a meu ver, é particularmente importante dentro do seu Sistema Ismar Maciel, porque reúne em um único texto quatro pilares que aparecem separados em vários poemas anteriores: energia, evolução, consciência e ordem.
